CÉLULAS-TRONCO NA ODONTOLOGIA
por Dra. Liciane Toledo Bello
27/01/08

Células-Tronco e a realidade odontológica: trocando as ferramentas mecânicas pelas biológicas

A cerca de 4 anos, um casal de pesquisadores brasileiros inseriram no cenário internacional das pesquisas sobre as células-tronco, semeando no abdomem de rato, germes dentais completos a partir de células-tronco adultas dentárias. Isto só foi possível pelos resultados conseguidos anteriormente nos EUA, em que pesquisadores realizavam os primeiros achados odontológicos com células-tronco em dentes de porco, regenerando a coroa dental. Esta equipe* foi então unida pelos resultados e pelos objetivos, e já indicam que para a próxima década os procedimentos estarão disponíveis para serem realizados em humanos.

As expectativas indicam ser possível num futuro próximo, regenerar e através da bioengenharia dental, transplantar germes dentais completos, inclusive com o fenótipo odontogênico, restaurando completamente a função.

Mas as mudanças profundas já iniciam seu ciclo. Em agosto passado, ocorreu em Bauru, no Centrinho, como é conhecido o Hospital de Reabilitação de Anomalias Labiopalatais da USP, a primeira cirurgia no Brasil do gênero, utilizando a Proteína Osteomorfogênica, que atrai células-tronco diferenciando-as em osteoblastos e osteócitos na reabilitação óssea de paciente com fenda lábio-palatatina, e ao que tudo indica, com extremo sucesso. As atuais cirurgias para enxertia óssea em áreas extensas, utilizam-se da crista do Íliaco (osso do quadril), que apesar de serem efetivas, possuem um pós-operatório extenso e doloroso.

E é possível também adquirir células-tronco adultas presentes na polpa de dente permanente ou decícuo, bem como do ligamento periodontal, que podem se diferenciar em células gordurosas, nervosas, ósseas, musculares e cartilaginosas, comprovadas “in vitro”, ou seja, em laboratório. O mais interessante é que como todos os seres humanos “trocam” a dentição entre os 6 e 12 anos, haveria um potencial de células-tronco em técnica não invasiva. Já há estudos para se criar um banco de dentes para este fim.

Renovam-se as esperanças para os edêntulos e odontopatas, e afirma-se mais um motivo para cuidar bem dos dentes, de-leite ou permanentes, pois eles são uma importante fonte de células-tronco.

*Dra Mônica e Dr Sílvio Dualibi (Cintergen – Centro interdisciplinar de Terapia Gênica/Unifesp), Dr Conam Young e John Barlett (Departamento de Biologia das Citocinas/ Forsyth Intitute).

 

Dra Liciane Toledo Bello

Mestranda em Laser Odontológico USP/IPEN

draliciane@ig.com.br