Células-Tronco e a
realidade odontológica: trocando as ferramentas mecânicas pelas
biológicas
A cerca de 4
anos, um casal de pesquisadores brasileiros inseriram no cenário
internacional das pesquisas sobre as células-tronco, semeando no
abdomem de rato, germes dentais completos a partir de
células-tronco adultas dentárias. Isto só foi possível pelos
resultados conseguidos anteriormente nos EUA, em que
pesquisadores realizavam os primeiros achados odontológicos com
células-tronco em dentes de porco, regenerando a coroa dental.
Esta equipe* foi então unida pelos resultados e pelos objetivos,
e já indicam que para a próxima década os procedimentos estarão
disponíveis para serem realizados em humanos.
As
expectativas indicam ser possível num futuro próximo, regenerar
e através da bioengenharia dental, transplantar germes dentais
completos, inclusive com o fenótipo odontogênico, restaurando
completamente a função.
Mas as
mudanças profundas já iniciam seu ciclo. Em agosto passado,
ocorreu em Bauru, no Centrinho, como é conhecido o Hospital de
Reabilitação de Anomalias Labiopalatais da USP, a primeira
cirurgia no Brasil do gênero, utilizando a Proteína
Osteomorfogênica, que atrai células-tronco diferenciando-as em
osteoblastos e osteócitos na reabilitação óssea de paciente com
fenda lábio-palatatina, e ao que tudo indica, com extremo
sucesso. As atuais cirurgias para enxertia óssea em áreas
extensas, utilizam-se da crista do Íliaco (osso do quadril), que
apesar de serem efetivas, possuem um pós-operatório extenso e
doloroso.
E é possível
também adquirir células-tronco adultas presentes na polpa de
dente permanente ou decícuo, bem como do ligamento periodontal,
que podem se diferenciar em células gordurosas, nervosas,
ósseas, musculares e cartilaginosas, comprovadas “in vitro”, ou
seja, em laboratório. O mais interessante é que como todos os
seres humanos “trocam” a dentição entre os 6 e 12 anos, haveria
um potencial de células-tronco em técnica não invasiva. Já há
estudos para se criar um banco de dentes para este fim.
Renovam-se as
esperanças para os edêntulos e odontopatas, e afirma-se mais um
motivo para cuidar bem dos dentes, de-leite ou permanentes, pois
eles são uma importante fonte de células-tronco.
*Dra Mônica e Dr Sílvio Dualibi (Cintergen –
Centro interdisciplinar de Terapia Gênica/Unifesp), Dr Conam
Young e John Barlett (Departamento de Biologia das Citocinas/
Forsyth Intitute).
Dra Liciane Toledo Bello
Mestranda em Laser Odontológico USP/IPEN
draliciane@ig.com.br