O lado bom e o ruim de beijar muito!!!
por Dra. Liciane Toledo Bello
25/05/08

Não é fácil pensar no lado ruim de beijar na boca, afinal é aquele momento em que todo o corpo somatiza o erotismo dos lábios se tocando, os olhos se entreabrindo e fechando, o calor da troca energética, e mais de trinta músculos contraindo e relaxando...só na região da cabeça e do pescoço.

Pois é, como nem tudo são flores, vale a pena frizar que neste “frissom” orgânico existem os inimigos tão pequenos, que não podemos vê-los a olho nu, porém os problemas que trazem podem nos ocasionar doenças, muitas vezes, fatais. Para se ter uma idéia, já foram contabilizados mais de 1.000 tipos de bactérias que convivem no ambiente bucal, e nesta conta não apareceram nem os vírus e nem os fungos!

No público jovem, é bastante comum o aparecimento da mononucleose infecciosa, a chamada “doença do beijo”, em que os sintomas são dor de garganta, gengivas sangrantes, febre e mau estar, com aparecimentos de gânglios paupáveis na região do pescoço, axilas e virilha, desaparecendo espontaneamente em 2 ou 4 semanas.

Mas o mais grave mesmo é o aumento dos casos de câncer bucal entre os jovens, e o responsável frente às novas pesquisas é o vírus HPV, o mesmo que ocasiona câncer no colo do útero.

Encontrado na mucosa oral normal, geralmente é inoculado em micro-traumatismos na  gengiva e na mucosa, é disseminado através do sexo oral e da auto-inoculação.

Existem mais de 100 tipos de HPV, que são agrupados em baixo e alto risco. No grupo de baixo risco estão os tipos 6 e 11, responsáveis pelo aparecimento da verruga vulgar na pele, e na boca pode apresentar outras formatações como papilomas ou condilomas. Podem apresentar lesão única ou múltipla e o tratamento é a remoção cirúrgica das formações papilomatosas, porém o vírus pode permanecer e recidivar o problema.

As recomendações para evitá-lo seriam:

-Monogamia (e aí sim pode beijar muito!!!),

-Manter visitar freqüentes no dentista, e para as mulheres, no ginecologista também,

-Fazer o auto exame bucal com freqüência.

 

 

Dra Liciane Toledo Bello

Mestranda em Laser Odontológico – USP/IPEN

draliciane@ig.com.br