O tratamento oncológico e suas implicações na cavidade oral
por Dra. Liciane Toledo Bello
15/07/07

O tratamento oncológico e suas implicações na cavidade oral:

Conhecida como mucosite, esta inflamação que acomete todo o trato digestório, desde a boca até o reto, incide em cerca de 40% dos pacientes que recebem quimioterapia e radioterapia convencional e 76% dos pacientes tratados com transplantes de medula óssea.

Sua incidência se deve à ação da quimioterapia antineoplásica, que age nas células com alto índice mitótico (divisão celular), ou seja, nas neoplásicas, que são as que devem ser destruídas, porém as células da medula óssea, do epitélio intestinal e bucal também acabam sendo atingidas. As ulcerações podem ocorrer devido a dois fatores distintos: - ação direta sobre a mucosa bucal (estomatotoxidade direta) e alterações induzidas em outros tecidos como a mielossupressão (estomatotoxidade indireta).

Na boca, frente esta inflamação, se instala um quadro conhecido como estomatite, que gera ulcerações profundas e extensas, propícias à hemorragias, extremamente dolorosas, impedindo a própria alimentação, elevando o grau de desnutrição dos pacientes submetidos à terapia antineoplásica, refletindo na resposta ao tratamento instituído e à própria sobrevivência dos mesmos.

A estomatite desenvolve-se de 2 a 10 dias após o tratamento com agentes citostáticos e durante a radioterapia de cabeça e pescoço. A resolução dos sintomas demora cerca de 2 a 3 semanas após o fim da terapia, porém pode persistir por mais tempo se as doses de agentes citostáticos forem muito altas. Primariamente o paciente relata sensibilidade aos alimentos ácidos, evoluindo para impossibilidade de mastigação e deglutição, atingindo diretamente a qualidade de vida dos pacientes em tratamento.

O controle da estomatite requer medidas profiláticas e terapêuticas, como a implementação de boa saúde e boa higiene bucal, através de consultas odontológicas curativas e preventivas, para o controle das infecções pertinentes ao ambiente bucal e às oportunistas, que invadem as lesões da mucosa agravando o quadro pré-existente. Em grandes hospitais do país, estas medidas são tratadas com extrema importância, sendo iniciadas antes do tratamento oncológico, e levadas ao longo dele, através da LASERTERAPIA, a qual alivia a dor e previne o aparecimento e a exacerbação das úlceras.

Dra Liciane Toledo Bello

Mestranda em Laser Odontológico – USP/IPEN.