Mau Hálito: das origens ao combate
por Dra. Liciane Toledo Bello
14/01/07

Mau Hálito: das origens ao combate

Em 2002, Mel Rosenberg, microbiologista canadense, publicou uma revisão sobre o tema na revista Scientific American, através da Universidade de TelAviv, elucidando os fatores que levam o indivíduo a desenvolver o mau hálito. Ficou esclarecido que 85% a 90% dos casos de halitose se originam na boca. De acordo também com outro estudo recente sobre o tema, de Walter Loesche, da Universidade de Michigam, principalmente através do acúmulo de bactérias localizadas na região posterior da língua, em que há um fluxo diminuído da saliva, e um gotejamento pós-nasal dos seios da face em direção à faringe. Este gotejamento persistente é encontrado em 25% da população urbana como resultado de alergias, poluentes químicos e processos inflamatórios das mucosas nasais e dos seios da face (sinusite). Estas bactérias digerem as proteínas de restos alimentares, promovendo a liberação de substâncias com odor desagradável, entre elas: gás sulfídrico, resultante do metabolismo anaeróbico (cheiro de ovo estragado), escatol (substância também encontrada nas fezes), cadaverina (associada à decomposição de organismos), putrescina (à decomposição de carne) e ácido isovalérico, também presente no suor dos pés. Estes odores geralmente não são percebidos pelos portadores, gerando um agravamento da halitose e grande desconforto aos que se relacionam com eles.

Outras causas de halitose são encontradas na má conservação dos dentes, inflamação das gengivas, falta de boa higienização da boca (restos de alimentos entre os dentes) e abscessos (presença de pus, ou seja, infecção). A redução do fluxo salivar, comum entre diabéticos, usuários de antidepressivos, pacientes idosos, podem aparecer entre os fatores predisponentes.

Outras origens também podem propiciar o aparecimento do problema como a inflamação das fossas nasais (5% a 10%). 3% dos casos são provocados por processos infecciosos das amídalas e apenas 1% em outras localizações como o estômago ou outras partes do aparelho digestivo.

Seja qual for a origem, o portador de halitose deverá procurar ajuda especializada, e esta ajuda deverá ser iniciada através de uma visita ao dentista, o qual avaliará adequadamente e encaminhará a outro profissional se houver necessidade.

Dra Liciane Toledo Bello.

Mestranda em Laser Odontológico.

Especialista em saúde bucal da mulher.