por Dra. Liciane Bello |
| No contexto atual, o que mais vemos em odontologia são promessas surreais de tratamentos dentários que prometem aplicações imediatas com sucesso total, sem demora, sem planejamento, sem garantias. O resultado – pacientes insatisfeitos e prejudicados fisicamente. Não diferente da cirurgia plástica, a odontologia enfrenta a banalização dos procedimentos, haja vista que apesar de existir indicações seguras e resultados comprovados, a não observância de uma série de fatores levará inevitavelmente a um fracasso, pois se a própria matemática admite o chamado fator erro, o que dizer de seres únicos, com diversidades no estado sistêmico e na resposta que o organismo terá frente aos tratamentos impostos. Encarar cada paciente dentro da sua individualidade requer, antes de qualquer coisa, uma relação de confiança paciente/profissional, em que o paciente se sente a vontade para questionar, e o profissional, dentro de seu entendimento técnico, seguro para responder, e assim encontrar a melhor forma de tratá-lo dentro das expectativas e limitações que todo e qualquer procedimento inerente ao ser vivo tem. Porém, na última década, houve um enorme crescimento na divulgação de tratamentos que não condizem com a realidade que a maior parte dos pacientes enfrenta, trazendo frustração para toda uma classe odontológica ávida a proporcionar procedimentos mais rápidos e menos onerosos, fato este, nem sempre possível. Aguçar o censo crítico na hora da consulta inicial é o momento de interpretar se o profissional que o atende o faz com lisuras, pois não é a secretária que tira dúvidas, nem tampouco qualquer outra pessoa que não tenha o conhecimento técnico, é o cirurgião-dentista que deve usar de franqueza e elucidar o paciente sobre as condições que o cerca, para que o custo/benefício do tratamento seja esclarecido. Na dúvida, questione o órgão competente sobre o profissional, cada região tem um Conselho Regional de Odontologia, e a internet é outra ferramenta para pesquisar sobre o procedimento e sobre o profissional que o executará.
Dra Liciane Toledo Bello |