Alcoolismo e a
Saúde Bucal
Considerações sobre alcoolismo e os problemas gerados na
cavidade bucal.
"O
alcoolismo é uma doença crônica, com aspectos comportamentais e
socioeconômicos, caracterizada pelo consumo compulsivo de
álcool, na qual o usuário se torna progressivamente tolerante à
intoxicação produzida pela droga e desenvolve sinais e sintomas
de abstinência quando ela é retirada”, de acordo com as palavras
do Dr. Dráuzio Varella.
Existe
ainda o consumo “saudável”, que adota pequenas doses diárias,
que de alguma forma beneficiam o organismo. A grande dificuldade
é quantificar esta dose “saudável”, pois indivíduos podem reagir
de forma diferente com a mesma quantidade. De uma modo geral, a
agressão produzida pelo álcool no organismo tem caráter
destrutivo, que aumenta com a quantidade ingerida, provocando
debilidade, podendo chegar, inclusive à falência de órgãos e
sistemas nos casos mais graves.
Para
entender como isto acontece, com usuários crônicos ou agudos
(aqueles que fazem uso exagerado esporadicamente) vamos nos
remeter à sua ação no caminho que percorre quando é ingerido e
metabolizado. Como foco principal teremos a boca.
A
primeira agressão se deve ao fato de ser através da boca que a
ingestão do álcool acontece. Neste momento, dependendo do teor
alcoólico da bebida, e o tempo que permanece na cavidade, por
exemplo em degustações, teremos algumas conseqüências, como o
aparecimento de erosões, que ocasionarão bochechas e língua
sensíveis, falta de paladar e até mesmo o aparecimento de
úlceras semelhantes à queimaduras. Se houver uso concomitante de
cigarro as conseqüências serão maiores e de pior prognóstico.
Com o
uso crônico, há um outro problema agregado aos ditos acima,
devido à agressão ao fígado. Nestes casos há deficiência das
vitaminas do complexo B, que geram além de outros fatores, a
proteção dos tecidos que envolvem a boca. É bastante comum
encontrarmos nestes indivíduos, uma inflamação sub-clínica ou
não, nos tecidos de suporte dos dentes, e nas mucosas que
revestem a boca. As aftas constantes também podem estar
conjugadas nas conseqüências.
Nas
mulheres o problema pode triplicar de tamanho, principalmente se
ela fizer uso de hormônios. O metabolismo do álcool em geral
difere das mulheres para os homens. A dose necessária para
agredir fortemente o organismo tende a ser bem menor nas
mulheres, por variações na absorção de álcool no decorrer do
ciclo menstrual e pelas diferenças entre os dois sexos na
concentração gástrica de desidrogenase alcoólica (enzima
fundamental para o metabolismo da droga).
Para
todos os níveis de consumo alcoólico, as mulheres correm mais
risco de desenvolver doenças hepáticas do que os homens, e isto
provavelmente incorre na predisposição em piorar a saúde bucal
como um todo.
Dra Liciane Toledo Bello
Mestranda em Laser Odontológico – USP.
Especialista em saúde bucal da Mulher.