Alcoolismo e a Saúde Bucal
por Dra. Liciane Toledo Bello
01/04/07

Alcoolismo e a Saúde Bucal

Considerações sobre alcoolismo e os problemas gerados na cavidade bucal.

"O alcoolismo é uma doença crônica, com aspectos comportamentais e socioeconômicos, caracterizada pelo consumo compulsivo de álcool, na qual o usuário se torna progressivamente tolerante à intoxicação produzida pela droga e desenvolve sinais e sintomas de abstinência quando ela é retirada”, de acordo com as palavras do Dr. Dráuzio Varella.

Existe ainda o consumo “saudável”, que adota pequenas doses diárias, que de alguma forma beneficiam o organismo. A grande dificuldade é quantificar esta dose “saudável”, pois indivíduos podem reagir de forma diferente com a mesma quantidade. De uma modo geral, a agressão produzida pelo álcool no organismo tem caráter destrutivo, que aumenta com a quantidade ingerida, provocando debilidade, podendo chegar, inclusive à falência de órgãos e sistemas nos casos mais graves.

Para entender como isto acontece, com usuários crônicos ou agudos (aqueles que fazem uso exagerado esporadicamente) vamos nos remeter à sua ação no caminho que percorre quando é ingerido e metabolizado. Como foco principal teremos a boca.

A primeira agressão se deve ao fato de ser através da boca que a ingestão do álcool acontece. Neste momento, dependendo do teor alcoólico da bebida, e o tempo que permanece na cavidade, por exemplo em degustações, teremos algumas conseqüências, como o aparecimento de erosões, que ocasionarão bochechas e língua sensíveis, falta de paladar e até mesmo o aparecimento de úlceras semelhantes à queimaduras. Se houver uso concomitante de cigarro as conseqüências serão maiores e de pior prognóstico.

Com o uso crônico, há um outro problema agregado aos ditos acima, devido à agressão ao fígado. Nestes casos há deficiência das vitaminas do complexo B, que geram além de outros fatores, a proteção dos tecidos que envolvem a boca. É bastante comum encontrarmos nestes indivíduos, uma inflamação sub-clínica ou não, nos tecidos de suporte dos dentes, e nas mucosas que revestem a boca. As aftas constantes também podem estar conjugadas nas conseqüências.

Nas mulheres o problema pode triplicar de tamanho, principalmente se ela fizer uso de hormônios. O metabolismo do álcool em geral difere das mulheres para os homens. A dose necessária para agredir fortemente o organismo tende a ser bem menor nas mulheres, por variações na absorção de álcool no decorrer do ciclo menstrual e pelas diferenças entre os dois sexos na concentração gástrica de desidrogenase alcoólica (enzima fundamental para o metabolismo da droga).

Para todos os níveis de consumo alcoólico, as mulheres correm mais risco de desenvolver doenças hepáticas do que os homens, e isto provavelmente incorre na predisposição em piorar a saúde bucal como um todo.

Dra Liciane Toledo Bello

Mestranda em Laser Odontológico – USP.

Especialista em saúde bucal da Mulher.