Já correu atrás da jardineira?



om dia, boa tarde, boa noite, bem vindo ao nosso Café Brasil, numa edição especial de carnaval. Quem é que não tem entre suas lembranças as memórias daqueles carnavais, hein? Pois começo com uma frase de Silviano Santiago publicado em 1981 em seu livro "Em Liberdade", um diário ficcional de Graciliano Ramos:
Se a única coisa que de o homem terá certeza é a morte, a única certeza do brasileiro é o carnaval no próximo ano.


Graciliano Ramos

 

Ah, carnaval, carnaval... quem é que não tem uma história de carnaval pra contar? Eu parei de curtir o carnaval depois que mudei para São Paulo, em 1975. Mas até meus 18 anos, o Carnaval foi uma referência, nos salões da Associação Luso Brasileira de Bauru...




Máscara negra

Tanto riso, oh quanta alegria
Mais de mil palhaços no salão
Arlequim está chorando pelo amor da Colombina
No meio da multidão

Foi bom te ver outra vez
Tá fazendo um ano
Foi no carnaval que passou
Eu sou aquele pierrô
Que te abraçou
Que te beijou, meu amor
A mesma máscara negra
Que esconde o teu rosto
Eu quero matar a saudade
Vou beijar-te agora
Não me leve a mal
Hoje é carnaval

 
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Hummm...Máscara negra, composta por Zé Kéti e Pereira Matos, para o carnaval de 1967, lembra hem? Essa é com....com Dalva de Oliveira... dá pra sentir o confete no rosto?




Zé Keti e Dalva de Oliveira

 
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Cheguei a pegar o final dos carnavais de rua em Bauru, quando formávamos blocos e desfilávamos pela avenida, coisa que não existe mais. As escolas de samba tomaram conta, depois veio o sambódromo e, por fim, pelo menos em Bauru, um final melancólico, sem dinheiro, sem desfiles, sem a festa popular que eu aprendi a curtir quando garoto.
 
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O que é o carnaval de hoje? Uma festa, que deixou de ser popular para transformar-se num grande negócio...


 
Jardineira

O jardineira por que estas tão triste
Mas o que foi que te aconteceu
Foi a Camélia que caiu do galho
Deu dois suspiros e depois morreu
Foi a Camélia que caiu do galho
Deu dois suspiros e depois morreu

Vem jardineira
Vem meu amor
Não fique triste
Que este mundo é todo teu
Tu és muito mais bonita
Que a camélia que morreu

 
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E essa, hein? Correu atrás da jardineira? Jardineira, composta por Benedito Lacerda e Humberto Porto para o carnaval de 1939, aqui na interpretação de Orlando Silva... vai dizer que não dançou e cantou esta?




Orlando Silva

Mas...cadê o sorriso contagiante das baianas?


Um e-mail que recebi citava a situação hipotética em que no desfile das escolas de samba, cada uma fosse coordenada por um país. Fiquei imaginando...já pensou a escola de samba alemã ? E a japonesa ? E a norteamericana ? Provavelmente teriam um orçamento de vários milhões de dólares. Um controller para cuidar dos gastos. Consultores para motivar a equipe. Generais para cuidar da logística. Técnicos de Hollywood para os efeitos especiais. Coreógrafos da Broadway para a dança. Uns 25 roteiristas para o samba enredo. E computadores. Milhares... O resultado seria um espetáculo técnicamente perfeito. Visualmente deslumbrante. Preciso.


 

Noite dos Mascarados

- Quem é você?
- Adivinha se gosta de mim
Hoje os dois mascarados procuram os seus namorados perguntando assim:
- Quem é você, diga logo...
- ...que eu quero saber o seu jogo
- ...que eu quero morrer no seu bloco...
- ...que eu quero me arder no seu fogo
- Eu sou seresteiro, poeta e cantor
- O meu tempo inteiro, só zombo do amor
- Eu tenho um pandeiro
- Só quero um violão
- Eu nado em dinheiro
- Não tenho um tostão...Fui porta-estandarte, não sei mais dançar
- Eu, modéstia à parte, nasci prá sambar
- Eu sou tão menina
- Meu tempo passou
- Eu sou colombina
- Eu sou pierrô
Mas é carnaval, não me diga mais quem é você
Amanhã tudo volta ao normal
Deixa a festa acabar, deixa o barco correr, deixa o dia raiar
Que hoje eu sou da maneira que você me quer
O que você pedir eu lhe dou
Seja você quem for, seja o que Deus quiser
Seja você quem for, seja o que Deus quiser

 
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E quando Chico Buarque decide compor para o carnaval...a gente ganha Noite dos Mascarados, aqui interpretada por Elis Regina e Pierre Barouh... Carnaval em francês, não é fascinante?
 

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Mas, sabe uma coisa? Eu prefiro em português. Com a mesma Elis e com o Chico...


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http://www.youtube.com/watch?v=n72vD9Wtt8Y  - Noite dos Mascarados - Chico Buarque, Nara Leão e MPB4

http://www.youtube.com/watch?v=df-lBVjPgHc  - Noite dos Mascarados - Vania Abreu e Marcelo Quintanilha
 


Chico Buarque, Elis Regina e Pierre Barouh

 

Pois é. Voltando ao carnaval de gringos, correto e tecnicamente perfeito... Mas...cadê o sorriso contagiante das baianas?
 

 

E o suor de pura adrenalina ?
 

E as mãos cheias de feridas, sangrando de prazer, dos meninos da bateria?
 

E os seios de deusas das morenas perfeitas ?
 

E as lágrimas de desespero do destaque em cima do carro quebrado ?
 

E o povo nas arquibancadas derramando-se sobre a pista ?
 

E o tesão?
 

Olha, me desculpem os certinhos, mas sou mais o Joca da Bateria e o Paulinho Fumaça que, sem dinheiro, sem MBA, sem computador, sem falar inglês,

fazem o maior espetáculo da terra.
 

Nas coxas.
 

 

Quando o carnaval chegar

Quem me vê sempre parado, distante garante que eu não sei sambar
Tô me guardando pra quando o carnaval chegar
Eu tô só vendo, sabendo, sentindo, escutando e não posso falar
Tô me guardando pra quando o carnaval chegar
Eu vejo as pernas de louça da moça que passa e não posso pegar
Tô me guardando pra quando o carnaval chegar
Há quanto tempo desejo seu beijo molhado de maracujá
Tô me guardando pra quando o carnaval chegar
E quem me ofende, humilhando, pisando, pensando que eu vou aturar
Tô me guardando pra quando o carnaval chegar
E quem me vê apanhando da vida duvida que eu vá revidar
Tô me guardando pra quando o carnaval chegar
Eu vejo a barra do dia surgindo, pedindo pra gente cantar
Tô me guardando pra quando o carnaval chegar
Eu tenho tanta alegria, adiada, abafada, quem dera gritar

 
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Pois então, o Chico Buarque compondo sobre Carnaval é coisa séria, não é? Esta é QUANDO O CARVAL CHEGAR, que ele lançou em 1972... Uma delícia... Aqui você ouve Marcia Salomon, que vem de Londrina pro Café Brasil!



Carnaval de ontem e de hoje.



Sobre saudade dos antigos carnavais, vai um poema de Cruz e Sousa, Carnaval de ontem e de hoje.
 

Ao fundo você ouvirá o clássico VASSOURINHAS, frevo composto por Matias da Rocha e Joana Batista Ramos. Acho que é a música mais tocada no carnaval. Mas aqui, é o piano de Antonio Adolfo...

 
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Antonio Adolfo

 

Carnaval de ontem e de hoje.

 
Do apartamento de Dora
Ouve-se o ruído lá fora
Do carnaval que já vem.
O samba do morro desce
E a gente do morro esquece
Do gosto que a vida tem.
A Vovó fica alarmada!
Que terror esta enxurrada
De gente suja e brutal!
As mulheres, quase nuas,
Homens de saia, nas ruas,
— Meu Deus, isto é carnaval?

“No seu tempo”, felizmente,
Era tudo diferente
À neta ela explica, então:
— Gente distinta, educada,
Batalhava na calçada
Do Jockey, que animação!

O corso era uma beleza!

Que elegância, que riqueza
De confeti e serpentinas!
Sobre as capotas descidas
Moças bonitas, vestidas
Das fantasias mais finas.

Nos bailes, que brincadeira!
Nem pulos, nem bebedeira,
Todos podiam dançar.
Mas de outro modo, distinto:
Se era “família” o recinto,
Ninguém mais podia entrar.

Dançava-se o tempo todo.
Brincava-se mesmo a rodo,
Sem mal, contente e feliz.
E o lança-perfume, eu penso
Não era usado no lenço
E abusado, no nariz!

Às vezes, um mascarado
Chegava, alegre e engraçado,
Metido num dominó.
Passava, dando os seus trotes,
Depois lá ia, aos pinotes,
Brincalhão, como ele só!

E a Vovó contava à neta...
Dorinha ouvia, bem quieta
Mas, de repente diz: - Qual,
Vovó, desculpe o que eu digo
Mas que chato é o tempo antigo!
Meu Deus, isso é Carnaval?

 
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A minha renúncia

Não adianta gritar
Não adianta gritar
Quando a coisa fica preta
O melhor é renunciar

Eu gostava tanto dela
Ela gostava de mim
A fofoca foi tão grande
Que eu nem cheguei ao fim

A minha renúncia

 
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Rararraa... você lembra do Tutuca? Usliver João Baptista Linhares é o Tutuca, que criou aquele inesquecível faxineiro que vivia de olho na mulherada e dizia: “como é boa essa secretária. Ah, se ela me desse bola...”. Pois é...o Tutuca canta A MINHA RENÚNCIA, de J.Maia, gravação de 1961. 1961: que renúncia é essa. Será que é o Jânio Quadros? Tutuca. No Café Brasil!


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http://www.youtube.com/watch?v=fTtcfRhymEQ  - Tutuca - Balança mas não Cai (1982) - Clementino e dona Julieta



Fac símile da partitura original de A minha renúncia





Tutuca

 
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E do site cifrantiga vem um saboroso texto sobre as marchinhas de carnaval.
 
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O samba, gênero musical que data de 1916, ano da gravação de Pelo Telefone, de Donga, passou a ser sinônimo de Brasil.



Pelo telefone

O chefe da folia,
Pelo telefone,
Mandou me avisar
Que com alegria
Não se questione
Para se brincar!

Ai, ai, ai!
Deixa as mágoas para trás,
Ó rapaz!
Ai, ai, ai, ai!
Fica triste se és capaz
E verás!

Tomara que tu apanhes!
Não tornes a fazer isso,
Tirar amores dos outros
Depois fazer teu feitiço!

Olha, a rolinha
(Sinhô! Sinhô!)
Se embaraçou
(Sinhô! Sinhô!)
Caiu no laço
(Sinhô! Sinhô!)
Do nosso amor
(Sinhô! Sinhô!)
Porque este samba
(Sinhô! Sinhô!)
É de arrepiar
(Sinhô! Sinhô!)
Põe perna bamba
(Sinhô! Sinhô!)
Mas faz gozar!

O chefe da polícia,
Pelo telefone,
Manda me avisar
Que, na Carioca,
Tem uma roleta
Para se jogar!
(bis)

Ai, ai, ai!...

Tomara que tu apanhes...

Olha a rolinha
(Sinhô! Sinhô!)
Se embaraçou
(Sinhô! Sinhô!)
É que a vizinha
(Sinhô! Sinhô!)
Nunca sambou
(Sinhô! Sinhô!)
Porque este samba
(Sinhô! Sinhô!)
É de arrepiar
(Sinhô! Sinhô!)
Põe perna bamba
(Sinhô! Sinhô!)
Mas faz gozar!

 
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Você vai ouvir no podcast, Vó Maria cantando aqui, Pelo telefone, de autoria de Donga, este samba tem uma história complicada sobre quem realmente o compôs, qual a letra correta e outras questões que a história só complica...mas é uma delícia. Detalhe: Vó Maria é a viúva de Donga e gravou esta faixa em 2003, aos 92 anos. No coro, todos os filhos e netos de Donga...


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Quer saber mais sobre "Pelo telefone"?

http://cifrantiga3.blogspot.com/2006/02/pelo-telefone-o-primeiro-samba.html
>

Quer saber mais sobre a Vó Maria?

http://www.velhosamigos.com.br/Foco/vomaria


As marchinhas eram crônicas urbanas.


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Voltando ao texto do site cifrantiga.

>
Mas na disputa entre os dois gêneros, o samba e a marchinha, durante bom tempo, ao menos na época do carnaval, o segundo reinou soberano nos salões de baile. Por isso, contar a história das marchinhas é, de certa forma, narrar a história do Carnaval. Por baixo do pó-de-arroz, as marchinhas faziam sucesso desde os primeiros anos do século. Espécie de embrião das escolas de samba, os cordões de foliões agitavam as ruas do Rio de Janeiro. E nas festas, eles cantavam e tocavam marchinhas. A fórmula de sucesso era razoavelmente fácil. Compasso binário, como a marcha militar, andamentos acelerados, melodias simples e de forte apelo popular, e lógico, letras irônicas, sensuais e engraçadas. As letras, aliás, agradavam demais os foliões.


 

 
 

Mamãe eu quero

Mamãe eu quero, mamãe eu quero
Mamãe eu quero mamar!
Dá a chupeta, dá a chupeta, ai, dá a chupeta
Dá a chupeta pro bebê não chorar!

Dorme filhinho do meu coração
Pega a mamadeira em vem entra no meu cordão
Eu tenho uma irmã que se chama Ana
De piscar o olho já ficou sem a pestana

Eu olho as pequenas, mas daquele jeito
E tenho muita pena não ser criança de peito
Eu tenho uma irmã que é fenomenal
Ela é da bossa e o marido é um boçal

 
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Sabe quem é, cantando no podcast? Carmem Miranda com Mamãe eu quero...

 


Carmen Miranda

 
>
Muitas das letras continuam atuais. Crônicas urbanas, elas tratam normalmente de temas cotidianos. Histórias do dia-a-dia dos subúrbios cariocas. Por muitas vezes, tinham conotação política. O ambíguo, o duplo-sentido, era muito explorado. Uma forma de dar leveza a temas que não eram assim tão "leves". "Elas têm uma vertente jornalística. Por exemplo, foram feitas marchinhas para Hitler, para as duas fases do Getúlio Vargas, a do Estado Novo e a de sua volta nos braços do povo.



 

Pirata da perna de pau

Eu sou o pirata da perna de pau
Do olho de vidro da cara de mau

Minha galera
Dos verdes mares não teme o tufão
Minha galera
Só tem garotas na guarnição
Por isso se outro pirata
Tenta a abordagem eu pego o facão
E grito do alto da popa:
Opa! homem não!

 
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>
Mais um clássico, o Pirata da Perna de Pau, de Braguinha, é de 1947. E você canta até hoje...




Braguinha

 
>
As marchinhas de carnaval tiveram seu auge nos anos 30, 40 e 50. Depois deles, muito foi produzido, pouco aproveitado. Algo que perdura até os nosso tempos: muita quantidade, pouca qualidade. Uma explicação possível: O apogeu do gênero está relacionado à popularização do disco e do rádio. Nomes como Almirante, Mário Reis, Dalva de Oliveira, Silvio Caldas e Carmen Miranda, os grandes cantores da época, gravaram marchinhas e com elas venceram muitos carnavais. Os principais compositores, que escreveram aclamadas músicas de festa, foram Noel Rosa, João de Barro (pseudônimo de Braguinha), Lamartine Babo e Ary Barroso.
 



Lamartine Babo


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Entre as muitas músicas, que até hoje estão no imaginário popular brasileiro, vale destacar Touradas em Madri, de João de Barro e Alberto Ribeiro, composta para a Guerra Civil Espanhola, que teve início em 1936.



Touradas de Madri

Eu fui ás touradas em Madri
Para tim bum, bum, bum
Para tim bum, bum, bum
E quase não volto mais aqui
Para ver Peri beijar Ceci
Para tim bum, bum, bum
Para tim bum, bum, bum
Eu conheci uma espanhola natural da Catalunha
Queria que eu tocasse castanhola
E pegasse o touro à unha
Caramba, caracoles, sou do samba
Não me amoles
Pro Brasil eu vou fugir
Que é isso é conversa mole para boi dormir
Para tim bum, bum, bum
Para tim bum, bum, bum

 
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>Você sabia?
 

A copa de 1950, “aquela”, gerou uma simpaticíssima história com Braguinha e as touradas de Madri.
 

A seleção brasileira estava em sua fase arrasadora. Antes da final com o Uruguai, os brasileiros tinham arrasado a Suécia por 7 x 1 e a Espanha por 6 x 1.
 

Neste último jogo, realizado três dias antes do “Maracanazo”, um fato inusitado ocorreu nas arquibancadas. No carnaval daquele ano havia sido lançada a marchinha “Touradas de Madri” de autoria do grande João de Barro, o Braguinha, um dos compositores populares mais importantes da música brasileira. Neste jogo, o Braguinha estava no Maracanã.
 

Após o sexto gol brasileiro, alguns torcedores começaram a cantar sua marchinha e logo toda a torcida fazia um grande coro no Maracanã cantando “Touradas de Madri”.
 

Ao ouvir o Maracanã em peso cantar a sua música, Braguinha se pôs a chorar, emocionado.
 

Ao vê-lo chorando, um torcedor que estava perto de Braguinha comenta com o colega do lado: “Olha aí, todo o Maracanã cantando e feliz e só este espanhol filho da puta chorando”.
 


Sartre no carnaval?


> Voltando ao texto do site cifrantiga.

Chiquita bacana

Chiquita bacana lá da Martinica
Se veste com uma casca de banana nanica

Não usa vestido, oi! não usa calção
Inverno pra ela é pleno verão
Existencialista com toda razão
Só faz o que manda o seu coração, ôi!

 
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> E outra que fez muito sucesso: Chiquita Bacana, de João de Barro e Alberto Ribeiro, lançada em 1949, era uma interpretação muito particular do existencialismo, mas que não se referia propriamente às idéias de Jean-Paul Sartre.


Emilinha Borba e Sartre
 
O teu cabelo não nega

O teu cabelo não nega mulata
Porque és mulata na cor
Mas como a cor não pega mulata
Mulata eu quero o teu amor

Tens um sabor bem do Brasil
Tens a alma cor de anil
Mulata mulatinha meu amor
Fui nomeado teu tenente interventor

Quem te inventou meu pancadão
Teve uma consagração
A lua te invejando faz careta
Porque mulata tu não és deste planeta

Quando meu bem vieste à terra
Portugal declarou guerra
A concorrência então foi colossal
Vasco da gama contra o batalhão naval

 
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> Também seria impossível não lembrar de: O Teu Cabelo Não Nega, dos Irmãos Valença e de Lamartine Babo, de 1932.
> Em 1941, vem Haroldo Lobo e Antônio Nássara, com um sucesso gigantesco: Allah-la-ô.


 
Allah-lá-ô

Allah-lá-ô, ô ô ô ô ô ô

Mas que calor, ô ô ô ô ô ô
Atravessamos o deserto do Saara
O sol estava quente
Queimou a nossa cara

Viemos do Egito
E muitas vezes
Nós tivemos que rezar
Allah! allah! allah, meu bom allah!
Mande água pra ioiô
Mande água pra iaiá
Allah! meu bom allah

 
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>  
>  


Carnaval de 1941
 
Você sabia?
 
Antônio Gabriel Nássara, mais conhecido simplesmente como Nássara (Rio de Janeiro, 11 de novembro de 1910 — Rio de Janeiro, 11 de dezembro de 1996) foi um compositor, caricaturista e desenhista brasileiro.

Carioca filho de libaneses, começou a compor marchinhas carnavalescas nos anos 30, disputando e vencendo concursos com Lamartine Babo, Noel Rosa (seu vizinho de infância em Vila Isabel) e Ary Barroso.

Frequentou o curso de Belas Artes, mas não se formou. Trabalhou nos jornais Carioca, O Globo, Vamos Ler, A Noite, Diretrizes, O Cruzeiro, Mundo Ilustrado, Flan, Última Hora e Pasquim.

Seu maior sucesso foi a marcha "Alá-lá-ô", de 1941, em parceria com Haroldo Lobo.

Ficou conhecido por seu estilo de parodiar ou citar composições famosas em suas próprias músicas.
 

Nássara
 
Dos anos 60 em diante as marchinhas começaram a perder espaço para os sambas-enredo. As escolas de samba, agremiações de grandes sambistas, começavam a ditar quais eram os sucessos. Alguns compositores, como Chico Buarque, se arriscaram a escrever as suas marchinhas.
 

Caetano Veloso também se arriscou, mas flertou com outro gênero, o frevo, que anima em Pernambuco, tal qual as marchinhas no Rio de Janeiro, a festa de carnaval. Mas ficou nisso.
 
Atrás do trio elétrico

Atrás do trio elétrico
Só não vai quem já morreu
Quem já botou pra rachar
Aprendeu, que é do outro lado
Do lado de lá do lado
Que é lá do lado de lá

O sol é seu
O som é meu
Quero morrer
Quero morrer já

O som é seu
O sol é meu
Quero viver
Quero viver lá

Nem quero saber se o diabo
Nasceu, foi na bahi ...
Foi na bahia
O trio elétrico
O sol rompeu
No meio-dia
No meio-dia
 

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Caetano Veloso e Silvério Pessoa
 
No podcast você ouvirá Atrás Do Trio Elétrico com o embalo pernambucano de Silvério Pessoa, que é uma delícia...
 

Nos anos 80 algumas regravações chegaram a fazer sucesso, como Balancê, de João de Barro e Alberto Ribeiro, lançada por Gal Costa em 1980 e Sassaricando, de Luís Antônio, Jota Júnior e Oldemar Magalhães, gravada por Rita Lee para a trilha sonora da novela Ti, Ti, Ti....
 
Sassaricando

Sassassaricando
Todo mundo leva a vida no arame
Sassassaricando
A viúva o brotinho e a madame
O velho na porta da Colombo
É um assombro
Sassaricando

Quem não tem seu sassarico
Sassarica mesmo só
Porque sem sassaricar
Essa vida é um nó

 
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> Mas não é pouco para um País que somente em 1952 produziu cerca de 400 músicas de carnaval, a maioria delas marchinhas alegres e divertidas?


 
> Pois para terminar o Café Brasil de hoje, retomo um clássico. Mamãe eu Quero, de Jararaca e Vicente Paiva. Na gravação que você vai ouvir, realizada em 1936, aconteceram coisas não programadas como o curioso prólogo em que Almirante dialoga de improviso com Jararaca. Esse diálogo foi acrescentado para alongar o tempo de gravação, que na tomada inicial havia ficado muito curto.

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> Como "Jingle Bells", ou "Parabéns a você", “Mamãe eu quero” tem um toque de ingenuidade óbvia na letra e na música, que não parecem ter sido criadas por um mortal qualquer. Mas, em contraste, tem também (como em quase tudo que Jararaca fazia) o tal toque de malícia, presente na voz do adulto pedindo para mamar. No fundo, Jararaca assume na música popular o mesmo significado de um autor desconhecido, como se sua música pertencesse ao folclore, o que é uma glória raramente atingida.
 


Jararaca, aqui com seu parceiro Ratinho
 
E é assim, em pleno carnaval que o Café Brasil de hoje chega ao fim.
 
Com mestre Lalá Moreira na bateria, a passista Ciça Camargo na produção, e eu, o mestre-sala Luciano Pires na direção e apresentação.
 
No programa de hoje tivemos...vixe! Dalva de Oliveira, Orlando Silva, Caetano Veloso, Carmem Miranda, Marcia Salomon, Jararaca, Almirante, Elis Regina, Pierre Barouh, Vó Maria, Os Rouxinóis, Chico Buarque, Antonio Adolfo, Tutuca, Emilinha Borba, Jorge Goulart, Silvério Pessoa, Rita Lee...arre!!! Que carnaval!!!!!

Quer mais? Acesse www.lucianopires.com.br e venha despocotizar o Brasil com a gente.
 
Pra terminar, uma frase de Aldir Blanc e João Bosco:
 
Custei a compreender que a fantasia
É um troço que o cara tira no carnaval
E usa nos outros dias por toda a vida....

 

Aldir Blanc e João Bosco

Luciano Pires